Portugal pressiona Google a desligar acesso ao GPS na app de “contact tracing”

A Google exige que a localização dos telemóveis esteja ligada para que as aplicações de contact tracing à Covid-19, que recorrem apenas ao Bluetooth destes aparelhos, possam funcionar. Mas esta prática está a ser alvo de críticas de vários países que já adotaram ou preparam-se para adotar aplicativos deste género. É o caso de Portugal, que também terá pressionado a multinacional a mudar esta definição, apurou o ECO.

“Com outros responsáveis do desenvolvimento de aplicações similares europeias, temos vindo a questionar a Google e a solicitar a correção do sistema operativo”, confirma ao ECO fonte oficial do INESC TEC, que é o responsável pelo desenvolvimento da aplicação em Portugal. “A utilização da API [sistema] não requer de facto, e não utiliza, a interface de GPS. A solicitação feita pelo Android é incorreta e causa de preocupação em todas as aplicações que utilizam a GAEN [a tecnologia da Google e da Apple]”, acrescenta a mesma fonte.

O The New York Times (acesso condicionado) noticiou esta segunda-feira que responsáveis de apps que usam a tecnologia criada pela Google e pela Apple estão desconfortáveis com esta atitude da empresa. Em causa, o facto de que, teoricamente, ao exigir que os utilizadores tenham o acesso à localização ligado, a Google é capaz de obter a localização de um determinado utilizador com alta precisão. Tal nunca foi a intenção do contact tracing à Covid-19 através da utilização exclusiva de códigos aleatórios gerados e emitidos por Bluetooth, como tem sido reiteradamente apontado pelo INESC TEC, numa altura em que a Comissão Europeia também já criticou o uso de georreferenciação para este efeito.

Assim, o INESC TEC, que está a desenvolver a aplicação portuguesa de contact tracing voluntária, a STAYAWAY COVID, já aprovada pelo Governo, está também entre essas organizações que fizeram o apelo à Google, entre as quais se incluem a da Suíça e a da Letónia. “A Google está ciente do problema mas, nas suas palavras, é uma limitação do próprio sistema operativo. O serviço BLE [Bluetooth] está, no sistema operativo Android, ligado aos ‘Serviços de localização’, pelo que estes têm de estar ligados para o utilizar”, justifica também a mesma fonte oficial.

O ECO confrontou a Google em Portugal com estas dúvidas e informações. Fonte oficial da empresa assegurou que “o sistema de notificação de exposição não utiliza a localização do dispositivo Android e não partilha nenhuma informação do utilizador com a Google”, mas reconhece que é preciso ter a opção ligada no aparelho para que se possa usar o Bluetooth.

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Fonte: ECO – Portugal