Opinião: Cadê o mapa do COVID-19?

Rubens de Almeida* e Eduardo de Rezende Francisco**

A maré da gripe do Novo Coronavirus, causadora da gripe COVID-19, já está subindo em todo o mundo há pelo menos quatro meses. Desde o início é do conhecimento médico-científico que o seu espalhamento se dá por contato humano direto, pela saliva em forma de perdigotos (quem se lembrava desta palavra horrível?), por espalhamento de gotículas em tosses ou espirros casuais. Ou, ainda, por levarmos a mão à boca, nariz e olhos após tocarmos superfícies e corrimãos contaminados no transporte ou locais públicos ou mesmo em casa, escola e trabalho – o vírus sobrevive mais do que o desejado em superfícies em geral.

Acompanhamos angustiados pela mídia a fase da transmissão estrangeira, por meio de viajantes que entraram em contato com o vírus em outro país e o trouxeram de avião para cá. E, alcançamos a etapa da transmissão comunitária, quando o encontro e o carinho casual entre vizinhos, amigos, colegas de trabalho e parentes bastavam para transmiti-la. Capítulos anteriores e atuais dessa triste novela se passaram em China, Itália, Coreia, Irã, Estados Unidos e mais recentemente na Europa inteira e resto do mundo.

E a mensagem tornou-se clara: agora a contaminação é nossa responsabilidade. Não tossir ou espirrar em público, não tocar em ninguém, não cumprimentar, não manipular pessoas ou pegar em superfícies públicas sem fazer a higienização posterior das mãos e deixar de se auto contaminar. Pior: embora o presidente do Brasil ache que não é possível, todos somos potenciais contaminadores dos outros. A palavra de ordem é quarentena para todos. Isolamento social já.

Mas o que não se sabe é se no meu bairro, no meu quarteirão, minha rua, minha vizinhança, ou se no meu supermercado e farmácia (locais autorizados para circulação de pessoas nessa situação) ele, o vírus, já está presente no organismo das pessoas ou passeando pelas superfícies.

O fato é que, entre os contaminados, cada um tem uma história para lembrar: eventos, viagens, escola, ambientes, salas de espera, reuniões de negócios etc. Bem ou mal, todos sabem a provável origem de sua contaminação. E sabem o que fizeram depois desse possível fato gerador e os locais em que estiveram, cujos endereços são absolutamente fáceis de serem identificados pela própria pessoa, ainda que possa haver pequenas diferenças e enganos. Seria muito fácil obter, pelo menos, o endereço do trabalho ou estudo e o endereço de moradia de cada pessoa que se comprova contaminada pelo Coronavirus. A ficha de cadastro dos pacientes, que deve ser utilizada pelos locais de atendimento já tem muitas dessas informações (faltariam apenas local de estudo ou trabalho).

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*é Engenheiro e Jornalista e hoje trabalha com dados e informações geolocalizadas para orientar estratégicas de empresas e instituições sociais.

** é professor de Data Science, GeoAnalytics e Big Data da FGV EAESP.

Fonte: O Estado de S. Paulo