O que falta para termos mais satélites 100% brasileiros no espaço?

Existem hoje cerca de 20.232 objetos lançados pela humanidade no espaço. Neste exato momento, pouco mais de 2 mil devem estar cruzando o céu acima de sua cabeça. E há uma grande chance de um deles ser um satélite artificial ativo: no total, há cerca de 2.200 orbitando a Terra, possibilitando desde o mapeamento de territórios e previsão do tempo até as telecomunicações.

Mas, de todos esses, somente nove são brasileiros — sendo que apenas seis são satélites grandes (os outros são nanossatélites, usados principalmente para fins educacionais). Em 2020, porém, um novo satélite fabricado no país deve aumentar nosso portfólio. A expectativa é que o Amazônia-1, primeiro satélite de monitoramento inteiramente desenvolvido pelo Brasil, seja lançado de uma base na Índia, em setembro.

Em desenvolvimento desde 2001, o Amazônia-1 ficará em órbita a 752 quilômetros da Terra, e terá como funções principais a observação da vegetação amazônica, da Mata Atlântica, do Pantanal, além da região costeira e bacias internas.

Mas, como dá para perceber pela nossa representatividade em órbita, o Brasil ainda engatinha quando o assunto são satélites. “O programa espacial brasileiro é modesto, não se compara com o dos Estados Unidos e da China, que investem bilhões”, diz o engenheiro Marco Chamon, coordenador geral de engenharia e tecnologia espacial no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A título de comparação, enquanto a Nasa sozinha tem um orçamento de cerca de US$ 20 bilhões, o de todo programa brasileiro não passa de US$ 30 milhões.

O país tem hoje três tipos de satélites no espaço: os de coleta de dados, identificados pela sigla SCD; os de sensoriamento remoto da linha CBERS, uma parceria com a China que completou 31 anos em 2019; e um geoestacionário de defesa e comunicação estratégica (SGDC), lançado em 2017 junto com a França.

Os riscos da dependência

Ter os próprios satélites é importante por diversos motivos. Um dos principais é para a autonomia do país. “A dependência de tecnologias externas é perigosa”, adverte Chamon. Ele lembra um episódio histórico que ocorreu durante a Guerra das Malvinas, travada entre Argentina e Reino Unido, em 1982. O Brasil, que nunca teve os próprios satélites meteorológicos e, por isso, faz a previsão do tempo baseada em dados obtidos gratuitamente de satélites estrangeiros, teve o acesso aos números bloqueado pelos Estados Unidos. O país, que era aliado do Reino Unido, desconfiou que os brasileiros estariam enviando dados aos argentinos.

Além dos riscos de depender de outras nações para ferramentas cruciais ao desenvolvimento da nação, o pouco alcance da cobertura também pode se tornar um entrave para resolver problemas internos importantes. Um exemplo recente foi o do vazamento de óleo no mar que atingiu a costa nordestina no segundo semestre de 2019. As manchas poderiam ter sido detectadas – e controladas – muito antes se o país tivesse um satélite-radar monitorando sua costa.

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Fonte: Galileu