Mudança no questionário do Censo não tem volta, diz presidente do IBGE

 

A presidente do IBGE, Susana Guerra, minimizou, nesta sexta-feira (7), os pedidos de exoneração de cinco funcionários que deixaram cargos de gestão no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em função de discordâncias com relação ao formato do Censo de 2020. Susana disse que a mudança na pesquisa “não tem volta, é página virada.”

“Essa saída vem porque, como em todo momento de mudança em uma grande organização, há resistências que são compreensíveis. Eles (funcionários que entregaram o cargo) estão no direto deles de querer sair. Eu respeito isso e agradeço pelo trabalho de excelência que têm feito”, disse à jornalistas, em frente ao prédio do Ministério da Economia no Rio de Janeiro, onde esperava se encontrar com o ministro Paulo Guedes.

Segundo a presidente do IBGE, a instituição tem outros funcionários competentes para substituir os que entregaram seus cargos sem perda de qualidade no trabalho ou ameaça ao Censo. “Essa reunião (com Paulo Guedes) não tem nada a ver com a saída de pessoal. Vi, nas redes sociais, questionamentos do porquê estava aqui e venho esclarecer que estou em uma agenda positiva, para falar ao ministro sobre tecnologias novas e acordos que estamos firmando com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Banco Mundial.”

Susana disse que os acordos têm como objetivo a busca de “recursos alternativos e novas tecnologias” para modernizar o IBGE e suas pesquisas.

Como a reunião foi incluída de última hora na agenda de Guedes, havia rumores de que Susana pudesse entregar o cargo. Ex-funcionária do Banco Mundial, ela foi indicada pelo ministro e assumiu a presidência do IBGE em fevereiro. A presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística negou os rumores de que poderia entregar seu cargo. “De jeito nenhum. [Estou] Mais firme do que nunca. Estamos com uma agenda positiva na área de registros administrativos, avanços tecnológicos e potencialização das pesquisas amostrais, rumo à modernização do IBGE”, disse Guerra, ao Valor.

Questionada sobre a redução no questionário do Censo, Susana disse que a mudança não tem relação com a diminuição do orçamento do órgão que comanda. “O corte (no questionário) é para dar qualidade e celeridade à operação. Mesmo sem restrição orçamentária, estaríamos fazendo esse corte”, argumentou.

Ela afirma que o formato foi aprovado pelo Conselho Diretor do IBGE e lembra que, mesmo com a redução, o questionário permanece maior do que aquele aplicado em mais de 80% dos países.

Susana está sob forte pressão dentro do IBGE. Insatisfeito, parte do corpo técnico do instituto organizou uma manifestação em repúdio à sua gestão no prédio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio. No ato, os funcionários anunciaram seus pedidos de demissão e três ex-presidentes do instituto criticaram a atual gestão.

Fonte: Valor