Opinião: Os territórios digitais, o decálogo da smartificação

António Covas, professor catedrático na Universidade do Algarve.

Das redes físicas do modelo urbano e industrial até às redes inteligentes do modelo tecnológico e digital, um longo caminho a percorrer e onde, por razões que todos entendemos, será necessário distinguir entre os territórios “espertos, inteligentes e criativos”. Acresce que os territórios digitais são uma espécie de novo emblema das políticas do território. Vale a pena, por isso, fazer um esforço analítico no sentido de perceber melhor em que consiste e o que está em jogo quando se fala de territórios digitais e digitalização territorial. O decálogo da smartificação procura responder a esse esforço analítico.

1. Do negócio digital, em primeira instância.

É aqui que tudo começa, antes de ter inteligência coletiva o território será atomizado pelo negócio digital; é tudo uma questão de mais ou menos sensor, chip, câmara, drone, robot ou sistema automático; o território ficará seguramente mais esperto, mas, também, mais atomizado.

2. Do capital humano, em segundo instância.

Depois da atomização digital proporcionada pelo negócio digital, é preciso acabar rapidamente com a iliteracia digital e acelerar a formação técnica e avançada nas áreas dos sistemas inteligentes e digitais; é uma verdadeira revolução nos sistemas de ensino e formação e o território passa a um segundo nível de inteligência.

3. Do risco moral, em terceira instância.

A transformação digital tem como consequência a emergência do chamado “risco moral”; a intensidade-rede digital produz uma interdependência máxima que nos pode colocar em rota de colisão com inúmeros danos colaterais e efeitos indesejáveis, já para não referir o dano eventual proveniente do colapso dos sistemas automáticos.

4. Da definição e cobertura do risco, em quarto lugar.

Cada um de nós terá uma pegada digital, donde uma maior personalização do risco e da sua cobertura; neste contexto, é fundamental que quem define a “ideologia do risco” não crie um sistema de vigilância verdadeiramente maquiavélico e condicione os nossos limites de liberdade, a tal ponto que coloque em causa os objetivos iniciais para os territórios inteligentes e criativos.

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Fonte: Público