Esalq cria projeto para analisar florestas e quer aplicar método em queimadas na Amazônia

 

Estudos realizados na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), campus da USP em Piracicaba (SP), pretendem formar um diagnóstico completo de como estão as matas brasileiras. Utilizando um drone com sensores que indicam, por exemplo, a quantidade de matéria orgânica de uma região, o projeto aplica métodos inéditos no Brasil.

Os primeiros estudos começaram na própria área da Esalq. A ideia, entretanto, é expandir o projeto para todo o país, inclusive para as áreas atingidas por queimadas na Amazônia.

Com um jogo de cores, os sensores mostram as diferentes alturas das árvores. Segundo os pesquisadores, as cores mais fortes, como laranja e vermelho, são os pontos mais altos da floresta, enquanto as áreas em azul ou roxo representam locais mais baixos.

Mas muito além da altura e da facilidade para alcançar pontos que os pesquisadores teriam grande dificuldade, os sensores são capazes de capturar dados como ondas infravermelhas, que são invisíveis ao olho humano.

“Vamos conseguir distinguir espécies observando o topo da floresta”, explica o pesquisador Danilo de Almeida.

A técnica foi criada por um pesquisador da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, que foi convidado para participar dos estudos no Brasil.

“A ideia é que nosso cérebro integre toda essa informação para entender o que está passando na floresta. Em cada minuto de voo, coletamos mais de três gigabytes de dados. Com todo o nosso trabalho até agora, temos mais de 70 terabytes de dados. Vamos analisar os dados para descobrir muito sobre as florestas do Brasil e do mundo”, diz Eben Broadbent.

A tecnologia já existe há alguns anos, mas os pesquisadores estão a aperfeiçoando cada vez mais ao longo do tempo. Os dados gerados em cada voo são comparados aos estudos feitos por uma equipe que percorre a mata a pé.

“Isso é um meio termo entre o campo, e os dados de satélite. A gente precisa ir para campo medir as árvores, ver a altura delas, identificar as espécies. A gente vai com um time, faz um inventário, entra no meio da floresta para depois voar com o drone”, explica Almeida.

A próxima etapa é levar essa tecnologia para outras áreas do estado de São Paulo. De acordo com a equipe, mais de mil florestas devem ser analisadas nos próximos quatro anos.

“Nós teremos uma amostragem bastante ampla. Desde o litoral, de manguezais, até florestas do pontal do Paranapanema”, explica o pesquisador Pedro Brancalion.

Quando a base de dados estiver completa, ela vai ser o ponto de partida para o monitoramento constante das florestas, virando, assim, uma referência nacional. Com isso, o método poderá ser utilizado para entender como e a que velocidade a natureza consegue se recompor em casos como as queimadas na região da Amazônia.

“Vamos tentar entender o que nós perdemos com todo esse desastre ambiental e, eventualmente, a gente consegue recuperar ao longo dos primeiros anos”, finaliza Brancalion.

Fonte: G1