IBGE confirma e recua da indicação de Roberto Olinto na presidência

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) voltou atrás ontem sobre a confirmação de que Roberto Olinto vai permanecer à frente do instituto no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Na nova versão, o instituto informou que Olinto foi sondado para a presidência do órgão, e não convidado. Sua permanência dependeria ainda de uma aprovação interna no Ministério da Economia, comandado pelo economista Paulo Guedes.

Na quarta-feira, o IBGE informou que Olinto foi “convidado a permanecer no cargo” e que o convite foi aceito. O mal-entendido teve origem num contato entre o governo e instituto feito pelo secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Junior, pasta sob a qual o IBGE passa a ficar subordinado no governo de Jair Bolsonaro. No governo de Michel Temer, o IBGE respondia ao Ministério do Planejamento.

Procurada pelo Valor, a assessoria de imprensa do ministro Guedes não retornou contato sobre o futuro da presidência do órgão estatístico. O IBGE, por sua vez, informou que aguarda uma definição do governo.

O assunto tem sido acompanhado de perto por servidores do IBGE. Críticas ao trabalho do instituto feitas por Bolsonaro levantaram incertezas entre os funcionários sobre o nome que seria apontado para a chefia do órgão. Antes da posse, Bolsonaro disse, em entrevista a uma rede de TV, que a metodologia de cálculo de desemprego era uma “farsa”. Após a fala, o IBGE defendeu em nota que o levantamento segue padrões internacionais.

Engenheiro de sistemas pela PUC-Rio, Olinto é um nome com boa aceitação dentro do instituto. Ele integra o quadro de funcionários do IBGE desde 1980. Foi coordenador de Contas Nacionais por quase uma década, área responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto do país. Em 2014, assumiu a Diretoria de Pesquisas, a mais importante do órgão. Engenheiro de Sistemas pela PUC-Rio, ele tomou posse na presidência do IBGE em junho de 2017, no governo Michel Temer, no lugar do economista Paulo Rabello de Castro.

Pela frente, o IBGE tem como principais desafios convencer o governo a recompor seu quadro de funcionários, com a contratação de cerca de 1.800 servidores por concurso público. Além disso, o órgão precisa executar neste ano parte do planejamento do Censo Demográfico 2020, megaoperação bilionária que vai a campo no próximo ano.

Fonte: Valor