Inpe lança sistema público para vigiar destruição do cerrado em tempo real

 

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pôs no ar nesta quinta-feira (27) ferramenta digital que permite a qualquer pessoa fiscalizar em tempo quase real a devastação do cerrado. Segundo maior bioma do país (24% do território), a savana brasileira já teve 46% da vegetação natural destruída, contra 20% da Amazônia.

Ainda em versão beta, o Deter Cerrado indica que, de 1º de agosto de 2017 a 31 de julho de 2018, houve perda de novos 4.718 km2 (mais que o triplo da área do município de São Paulo). Desde então, outros 1.032 km2 foram derrubados.

No período anterior, 2016/2017, a cifra oficial de devastação do cerrado, apurada por sistema de monitoramento mais preciso (Prodes), ficou em 7.408 km2. As duas quantidades não podem ser diretamente comparadas porque usam imagens de resolução e periodicidade diversas.

O lançamento do Deter Cerrado ocorreu em Brasília num seminário que apresentou o sistema para duas centenas de técnicos em geoprocessamento e autoridades ambientais dos estados que têm áreas de savana.

O Deter Cerrado está disponível para o público no site http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/. Assim como o programa de mesmo nome usado na Amazônia, sua função é produzir alertas diários de desmatamento para o Ibama verificar se a derrubada é legal e, se for o caso, autuar os infratores.

Os fiscais têm cinco dias para agir em campo, guiados pelos alertas do Deter. Depois disso, a informação fica disponível para o público na página do Terra Brasilis (se fosse divulgada antes, poderia alertar os desmatadores ilegais).

“Desde maio os polígonos vão para os órgãos de fiscalização”, conta Cláudio Almeida, que coordena o trabalho. “Hoje ficam disponíveis também para o púbico, e a sociedade passa a consumir os dados.”

A cada dia, no caso do Deter, técnicos da área de Observação da Terra do Inpe se debruçam sobre quadrados de 20 km x 20 km e comparam imagens de satélite novas com “máscaras” que mostram onde a vegetação natural já havia sido suprimida em períodos anteriores.

Cada cena examinada permite escrutinar pixels de 60 m X 60 m. Quando o Prodes foi desenvolvido para monitorar a Amazônia, a resolução era bem pior, de 250 m X 250 m.

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Fonte: Folha de S. Paulo