Opinião: Dados geoespaciais desempenham um papel vital no desenvolvimento de cidades inteligentes

Winnie Tang*

A cidade de Hong Kong tem a sorte de se beneficiar de uma infraestrutura desenvolvida e gerenciada por instituições de avançada tecnologia e órgãos governamentais bastante comprometidos. O Departamento de Proteção Ambiental, por exemplo, realiza a análise da poluição do ar; o Observatório Meteorológico coleta, estuda e divulga os dados meteorológicos; o Departamento de Estradas é responsável pelas obras rodoviárias; e o Departamento de Transporte cuida do gerenciamento do tráfego.

Mas, e sobre a capacidade de ajudar a encontrar um caminho mais curto para um destino, localizar uma criança ou um idoso perdido, coordenar as operações de busca e salvamento, rastrear a localização em tempo real dos ônibus, e viabilizar o desenvolvimento de veículos autônomos?

Esta capacidade invisível, quem fornece são os dados geoespaciais ou os serviços baseados em localização. Eles desempenham um papel crucial nas nossas vidas diárias, nos negócios e na sociedade como um todo.

A Diretora Executiva, Carrie Lam Cheng Yuetngor, sempre nos lembra a acelerar a inovação e o desenvolvimento tecnológico. É imperativo, portanto, que um departamento exclusivo seja estabelecido para desenvolver as nossas políticas e a nossa padronização nesse campo, o mais rápido possível.

Enquanto isso, devemos começar contemplando a função de um transceptor de informações precisas de posicionamento no projeto dos postes de luz inteligentes, que é um dos principais programas piloto de cidades inteligentes. Com isso, podemos estabelecer uma base sólida para o futuro desenvolvimento.

Muitos países como os Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá desenvolveram políticas, leis, normas e departamentos dedicados a gerenciar os dados geoespaciais, desde sua coleta até a disseminação e compartilhamento desses dados com o público. Isso para fazer o melhor uso do potencial e do valor deste recurso.

O Comitê Federal de Dados Geográficos dos Estados Unidos fornece assessoria e consultoria gerencial e consultiva, além de orientação para as decisões e inciativas geoespaciais em todo o governo federal.

O governo australiano reconhece o valor dos dados geoespaciais. Estima-se que os dados espaciais precisos (com uma precisão de 2 a 5 cm) possam render 73 bilhões de dólares australianos (55 bilhões de dólares americanos) à economia australiana até 2030.

As tecnologias permitem uma variedade de aplicações inovadoras, incluindo melhorias de produtividade para a agricultura, mineração, engenharia, logística, transportes, e serviços baseados em localização.

Na realidade, uma organização governamental, a Geoscience Australia, foi criada para coordenar os vários departamentos responsáveis por informações de localização em todas as cidades australianas.

Compartilhar esses dados com o público é a melhor maneira possível de maximizar o seu valor. A regulamentação japonesa sobre a Progressão da Utilização de Informações Geoespaciais, aprovada em 2007, permite que os cidadãos obtenham acesso gratuito a informações de localização.

Em 2013, o Governo do Canadá também lançou um portal de dados abertos (data.gc.ca) para garantir o acesso fácil e permanente aos dados e informações do governo, para acelerar a inovação como instrumento para a prosperidade. Das mais de 200.000 bases de dados disponíveis, 97% delas são geoespaciais.

Os empreendedores inovadores provaram ser, e irão continuar a atuar como, os principais contribuidores da aplicação da tecnologia. Hong Kong deve intensificar as medidas para promover a inovação e o desenvolvimento de cidades inteligentes.

Estabelecer uma infraestrutura de dados geoespaciais é um passo estratégico. Devemos aproveitar todas as oportunidades para materializar esse conceito. Não vamos perder esta chance para progredir mais um passo em nossa cidade inteligente.

* Professora do Departamento de Ciências Computacionais da Universidade de Hong Kong, para o EJ Insight, site de notícias em inglês do Hong Kong Economic Journal. Original em inglês.

Tradução de Edmilson Volpi, editor da página @Opinião Cartográfica